Soluções para aumentar a presença de mulheres no mercado de tecnologia
As empresas de TI querem contratar mulheres mas não conseguem. Como faz?*
Eu não sou especialista em recrutamento e seleção mas vejo um certo impasse nesse movimento de incluir mais mulheres nas empresas de TI: há vagas mas não são preenchidas. A conta não fecha! Como faz? Eu sendo engenheira e apaixonada por matemática, quero muito resolver essa equação. Para chegar na solução, é preciso analisar o problema, levantar dados, identificar variáveis, equacionar e resolver o desafio. Vamos lá!
Sou fundadora e administro a comunidade Elas Programam, hoje com mais de 1600 mulheres. (edit: novembro/2020 são 7mil no face e mais de 12 mil no instagram).
Acompanho o dia-a-dia daquelas que querem ingressar na área. Muitas são iniciantes, migrando de área, recém-formadas ou ainda estudando e/ou buscando estágio (eu poderia trazer estatísticas mas preferi não colocar mais um formulário na rotina delas já que preencher cadastro de vagas é uma tarefa corriqueira). A realidade é que as empresas divulgam vagas, mas os currículos não chegam ou não são selecionados. Existem tantas variáveis aqui. Vamos por partes.
Por que será que os currículos não chegam?
A dura realidade é que uma das razões se deve ao fato de que mulheres “desapareceram” dos cursos de computação. Na década de 1970, cerca de 70% dos alunos do curso de Ciências da Computação, no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, eram mulheres; hoje, 15%. Nos últimos cinco anos, apenas 9% dos alunos formados no curso de Ciências de Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos eram mulheres; no Bacharelado em Sistemas de Informação, foram 10% e em Engenharia de Computação, 6%. E nem vou entrar no debate infeliz de que mulheres não se interessam por tecnologia. Fomos pioneiras nessa área e isso pra mim encerra a discussão!
Além disso, foi resultado de uma pesquisa que homens se candidatam a uma vaga quando cumprem apenas 60% dos requisitos e mulheres mandam CV quando preenchem 100%. Não fui eu que inventei isso. Você pode ler a matéria completa aqui ó: Why Women Don’t Apply for Jobs Unless They’re 100% Qualified (Por que as mulheres não se candidatam a vagas de emprego a menos que sejam 100% qualificadas)
Agora levanto algumas dúvidas: será que os currículos não chegam por que o anúncio da vaga não atrai as mulheres?
As fotos do anúncio, a comunicação usada sempre no masculino não causa rejeição por parte das mulheres? A avaliação das empresas quanto a ser um ambiente saudável para as mulheres também é um fator a ser considerado aqui. Sabemos que em um espaço majoritariamente masculino, pode ser algo normal piadas, comentários e comportamentos de determinada natureza. O que é "normal" para alguns caracteriza um ambiente de trabalho tóxico e hostil para outras pessoas.
Conclusão da parte 1 do problema: os currículos das mulheres não chegam nas empresas porque além de serem minoria nos cursos de computação as candidatas não enviam a menos que cumpram 100% dos requisitos das vagas - o que faz muita gente questionar tanta exigência que até se brinca que as empresas querem estagiário(a) nível sênior com MBA em Harvard e poliglota. A gente ri mas quer mesmo é chorar! E pode ser que os currículos também não chegam porque o anúncio da vaga não desperta o interesse das mulheres ou que a cultura da empresa ainda precisa se adequar à proposta de inclusão.
Você aí pode estar se questionando: "Ué porque as mulheres não fazem o mesmo que os homens e mandam currículo mesmo cumprindo apenas 60% dos requisitos?". Pois é. Eu gostaria que fosse tão simples. Mas nós fomos condicionadas a sermos perfeitas, a não nos arriscarmos e ter medo do fracasso. Homens quando erram, culpam as circunstâncias e mulheres culpam a si mesmas. Infelizmente, é assim que a banda toca. Enquanto não mudarmos a forma como criamos nossas meninas nada vai mudar.
Reshma Saujani, fundadora da Girls Who Code, assumiu a tarefa de educar as jovens para assumir riscos e aprender a programar, duas habilidades de que elas precisam para fazer a sociedade avançar. Reshma, em seu TED, aponta que meninas são criadas para serem perfeitas e meninos para serem corajosos e nos dá a fórmula mágica:
"Precisamos criar as meninas para ficarem mais confortáveis com a imperfeição e tem que ser agora. Temos que ensiná-las a serem corajosas na escola e no início de suas carreiras quando há maior potencial de impactar suas vidas e das outras pessoas. Temos que mostrar para elas que serão amadas e aceitas por serem corajosas e não perfeitas."
A maioria das empresas busca mulheres prontas para contratar
Empresas, revejam a forma como recrutam mulheres
- Será que a comunicação nos anúncios de vagas não deveria ser mais inclusiva e adequada?
- Será que realizar eventos especificamente voltados para recrutamento não seria mais efetivo?
- Será que implantar um processo interno focado em cadastrar e avaliar com olhar mais cuidadoso e atento não é um caminho?
- Que tal desenvolver projetos visando capacitação técnica em conjunto com programas de treinamento hands-on dentro da empresa?

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